OS PRIMÓRDIOS DO ROTARISMO NO BRASIL, por Pedro Caruso do RC Leblon Download

Parte 1 e Parte 2
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Ecos de um Passado Glorioso
................................Fernando Reis

A Fundação

Em 29 de janeiro de J921, um grupo de homens de negócios e profissionais liberais fundou, na cidade do Rio de Janeiro, o que pretendia que fosse o primeiro Rotary Club do Brasil. Rotary International, entretanto, ao receber o pedido de filiação do novo clube e verificando a predominância de nacionais de outros países entre aqueles dezessete membros fundadores, desaprovou a sua constituição e sugeriu que viessem a ser convidados mais brasileiros.

Os signatários daquela primeira ata logo se dispersaram e, somente em 15 de dezembro de 1922, quase dois anos depois, veio o Rotary Club do Rio de Janeiro a ser, efetivamente, criado, mediante notável trabalho realizado por Heriberto Percival Coates, então membro do Rotary Club de Montevidéu e representante do Rotary International para a fundação do primeiro clube em país de língua portuguesa. Dentre os seus fundadores, apenas Herbert Moses havia assinado a ata de 29 de janeiro de 1921: Richard P. Momsen,
ausente do país, somente ingressou no clube onze meses mais tarde.

Cumpre destacar a atuação de Robert Shalders, secretário geral do clube durante os cinco primeiros anos. Shalders, por seu entusiasmo e persistência, foi, certamente, o grande responsável pela consolidação da nova unidade rotária e o seu grande arquiteto.

A Década de Vinte

Como disse Alberto Amarante em seu precioso livro Contribuição à História do Rotary no Brasil, editado em 1973 ao ensejo do aniversário de cinquenta anos do Rotary Club do Rio de Janeiro, pouco se sabe das atividades do clube durante os dois anos iniciais de sua vida, pois os seus anais somente começaram a ser escritos em 14 de novembro de 1924, com a publicação do primeiro boletim de suas reuniões, na época chamado Notícias Rolarias. A partir de então e até hoje, as atas dos trabalhos do clube vêm registrando, cuidadosamente, os fatos mais notáveis ocorridos em nossa cidade e no próprio país. A constatação de haver o clube preservado esse acervo já evidencia um relevante serviço prestado à cultura brasileira, pois os acontecimentos ali relatados, muitos dos quais não perpetuados alhures, demonstram que os primeiros rotarianos, e os que os seguiram, além de vivenciarem episódios históricos importantes, sobre eles exerceram, algumas vezes, fundamental influência, estimulando-os, motivando-os e, até mesmo, provocando-os.

Na verdade, o Clube do Rio foi criado em época de grandes transformações.

Na velha Europa, o espetro da guerra parecia estar definitivamente afastado e os estadistas, debruçados sobre as mesas de negociações, teciam acordos e tratados, com os quais acreditavam assegurar a paz por que ansiava uma humanidade tão sofrida.

Erasmo Braga, em nosso clube, acompanhava de perto todas essas tratativas, apoiando-as ou criticando-as, mantendo os seus companheiros sempre bem informados.

O ano de 1922, que viu surgir o rotarismo no Brasil, foi particularmente significativo. Em São Paulo, na Semana de Arte Moderna, os artistas e intelectuais brasileiros rompiam com os estilos tradicionais, numa demonstração da maturidade da cultura de vanguarda em nosso país. A preocupação com a arte, no terreno da música, da pintura, da caricatura, da literatura, da poesia e do teatro, foi sempre uma constante entre os rotarianos. Todas as nossas grandes festas, como se verá adiante, foram sempre emolduradas com representações artísticas dos maiores nomes da cultura brasileira, como Coelho Netto, Eleazar de Carvalho, Villa-Lobos, Bensazoni Lages, Stella Leonardos e tantos e tantos outros.

Mas tínhamos também nossos próprios artistas: Lucílio de Albuquerquer e sua esposa Georgina, cujos quadros acham-se ainda expostos no Museu de Arte Moderna, como obras características da pintura brasileira do século XX; Mattos Pimenta, o reformador da cidade; José Marianno Filho, que cuidava da preservação de nosso patrimônio histórico, opondo-se a todos que o quisessem ameaçar, inclusive a Lúcio Costa, que, no seu entender, estava trazendo para o Brasil uma arquitetura inadequada ao nosso clima; Rodrigo Octavio Filho, o grande acadêmico e orador; Raul Pederneiras, o mestre da caricatura no Rio de Janeiro; Bastos Tigre, o poeta, somente para citar os primeiros.

Em nossa cidade, um novo Rio surgia em contraposição ao velho Rio das epidemias, que, antes, até mesmo, lhe valera o apelido de "cidade necrópole." A obra de Pereira Passos e de Oswaldo Cruz havia resultado numa metrópole saneada, com seus jardins, praças e boulevards clamando para serem exibidos a quem aqui chegasse.

Para tal, um singular evento havia sido concebido, uma grande festa internacional, destinada a congregar gentes de toda a parte, a pretexto de se celebrar o aniversário de cem anos do Grito de Ipiranga. E foi certamente durante a grande Exposição do Centenário, em 1922, que os rotarianos fundadores, percorrendo encantados os imponentes pavilhões de cada nação, construídos especialmente na área que se tornou disponível com o desmonte parcial do morro do Castelo, encontraram inspiração para convencer empresários e governo a organizar, anos depois, um novo evento internacional, este já voltado, então, para- a divulgação de nossos produtos e de nossa potencialidade econômica. A Eeira de Amostras do Rio de Janeiro, a primeira que se realizou no Brasil, perseguida que foi pêlos rotarianos durante alguns anos, insere-se no rol das grandes realizações do Rotary do Rio de Janeiro em prol do desenvolvimento do Brasil. E quando a idéia finalmente se concretizou, foi no Pavilhão da Argentina que se fez realizar, no dia da inauguração, a reunião semanal do Conselho Diretor de nosso clube.

No campo da política, nesse mesmo ano, era fundado o Partido Comunista Brasileiro, cuja ideologia, por abrigar a privação da liberdade e a supremacia do Estado sobre os direitos dos cidadãos, esfacelou-se antes mesmo do final do século, em decorrência da explosão do império soviético. E, certamente, as gerações futuras irão aprender, no gr
ande livro da História, que o ideal rotário de "Servir, Antes de Pensar em Si" maiores benefícios vem trazendo para a humanidade do que as convicções políticas radicais e o fanatismo religioso, advindos eles da direita ou da esquerda.

A década de vinte foi, também, a época das grandes aventuras aéreas, em que os heróis alados, "por ares nunca dantes navegados", ousaram rasgar céus e nuvens, mostrando aos pobres mortais que, maravilhados, os contemplavam, que o homem se tornara em um novo pássaro a voar, mas, nas palavras do poeta, num "pássaro com alma." Gago Coutinho, que naquele mesmo memorável ano de 1922 realizara a primeira travessia aérea sobre o Atlântico Sul, unindo o Tejo à Guanabara, para glória da brava gente lusitana, sempre que esteve no Brasil, freqüentou as reuniões de nosso clube. Seus relatos entusiasmavam a todos e, saciando a sede dos rotarianos com relação às novas aventuras aéreas, permitia que se acompanhasse, mais de perto, os reides de Ramon Franco, Pinedo, Del Prete, Lindenberg e tantos outros. Na década seguinte iria Gago Coutinho trazer-nos o Dr. Ugo Eckner, que, comandando o Graff Zeppelin, chegava ao Rio navegando com o sextante inventado por seu amigo almirante português e, podemos dizer, seu anfitrião em nosso clube. O interesse pelo dirigível foi tanto, que alguns rotarianos e jornalistas brasileiros logo se propuseram a viajar pelo mundo naquela aeronave sem asas, entre eles Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça, a Rainha dos Estudantes, esposa de nosso companheiro Marco Carneiro de Mendonça. Mais tarde, ainda com a lembrança viva das imagens deslumbrantes que, lá dos céus, pôde ver, escreveu um livro chamado Quatro Pedaços do Planeta no Tempo do Zepelim, em que divide com quem quer que o leia aquela bela e singular experiência.

O amor pela aviação não durou apenas uns poucos momentos. Logo os rotarianos perceberam que estavam no limiar de um novo tempo e para que não se sentissem ultrapassados, logo propõem como sócios do clube dois grandes aviadores do Brasil: Godofredo Vidal que, poucos anos antes, participara do histórico reide sobre os Andes, e António Guedes Muniz, hoje considerado o Patrono da Indústria Aeronáutica Brasileira. Quantas e quantas reuniões plenárias de nosso clube foram enriquecidas com palestras sobre aviação.

Mas as atividades dos rotarianos não eram tão somente contemplativas ou acadêmicas. Muito pelo contrário, pois os grandes problemas da época, como o das enchentes, do abastecimento de água, do desenvolvimento da soroterapia no Brasil, da remodelação da cidade, da preservação de monumentos e edifícios históricos, da merenda escolar, da higiene nas novas construções que chamavam de arranha-céus, das favelas, do sufrágio universal feminino, da necessidade de se usar cheques, etc., eram exaustivamente tratados. Para isso, personalidades ilustres foram convidadas para expor e discutir toda essa problemática, tais como Paulo de Frontin, Vital Brasil, Carlos Chagas, Felix Pacheco, Ataulfo de Paiva, Castão Bahiana, Lindolfo Collor, Cândido Rondon, Pedro Ernesto, Assis Brasil, Geremário Dantas, Prado Júnior, estes citados já que nào poderemos mencionar a todos. Também as grandes questões sobre os direitos da mulher foram objeto de interesse de nossos programas e, para que se pudesse tratar dos problemas em toda a sua extensão, ocuparam, também, a nossa tribuna as senhoras Bertha Lutz, Jerônima Mesquita, Stella Duval, Mary Dingman, Eugenia Hamann e Anna Amélia.

Houve um assunto, entretanto, que sempre mereceu prioritária atenção por parte dos rotarianos, qual seja o da educação.

João Kopke, a convite do clube, teceu comentários sobre a falta de uma literatura brasileira destinada ã infância e à juventude, já que os livros de Monteiro Lobato e Viriato Correia somente apareceriam mais tarde. Sensibilizado com os comentários daquele grande educador e liderado pelo nosso companheiro Edmundo de Miranda Jordão, e outros, desenvolveu o clube inúmeros projetos na área da educação. A partir de 1926, e durante sete anos, vinte e quatro escolas públicas municipais receberam das mãos dos rotarianos, em comoventes solenidades, bibliotecas completas, com mais de uma centena de livros, organizados segunda lista sugerida pelo próprio João Kopke, acondicionados em estantes de madeira de lei doadas também pêlos rotarianos. Por outro lado, a partir daquela data e por muitos anos, o Rotary Club do Rio de Janeiro organizou, anualmente, no Teatro Palácio e, simultaneamente, noutras casas de espetáculos, para abrigar milhares de crianças carentes de nossa cidade, as chamadas Festas das Cadernetas Escolares.

Durante esses eventos, entretinha-se a plateia com as jocosas caricaturas desenhadas, na ocasião, pelo nosso companheiro Raul Pederneiras, com a exibição de desenhos animados, com a execução de marchas e dobrados pela Banda de Música do Corpo de Fuzileiros Navais e com as graças e acrobacias dos clowns do circo Sarrasani. As senhoras dos rotarianos distribuíam a todos refrigerantes e farta merenda. Ao final, os alunos que mais se haviam destacado em suas classes eram chamados e recebiam, uma um, das mãos dos rotarianos, uma Caderneta da Caixa Económica com a importância depositada de 50$000. Paul Harris, em 1936, assistindo a uma dessas solenidades, que naquele ano premiava 227 alunos, dentre os 5000 reunidos em diversos teatros do Rio de Janeiro, comoveu-se a ponto de não poder conter as lágrimas, confessando, pouco depois, ter sido aquele dia um dos mais felizes de sua vida.

Essas solenidades, anos mais tarde, passaram a ser realizadas nas próprias escolas, já com o nome de Festa do Melhor Companheiro. José Moutinho Duarte, hoje rotariano do Rotary Club Rio de Janeiro - Ramos, Governador 1983-84, ainda se orgulha da bandeira brasileira com que foi premiado como o melhor companheiro de sua classe, eleito por seus próprios coleguinhas, numa dessas ocasiões.

É impossível enumerar todos os projetos desenvolvidos pelo clube em prol cia educação, mas não podemos deixar de lembrar a Cruzada contra o Analfabetismo, presidida por Miguel Couto, por indicação do clube, que logo angariou total apoio da imprensa e de toda a sociedade. Também as campanhas do Copo de Leite, da Merenda l^colarç. da Construção da Escola Rotary, esta concretizada mais tarde para celebrar os 25 anos do rotarismo no Brasil.

No campo da ecologia, ainda quando esta palavra não havia sido incorporada à língua dos homens, o Rotary Club do Rio de Janeiro encetou uma grande campanha no sentido de que a área de aterro, compreendida entre o Hotel Glória e o Calabouço, fosse preservada.

Para felicidade de todos, de ontem e de hoje, o Prefeito Alaor Prata compareceu a uma de nossas reuniões, em 9 de julho de 1926, para anunciar que, a despeito das dificuldades financeiras por que passava a prefeitura do Distrito Federal, toda a área em questão não mais seria loteada e edificada, mas transformada em jardins. A cidade do Rio de Janeiro deve pois ao seu primeiro Rotary Club, célula mater do rotarismo no Brasil, o Largo do Russel, a Praça Paris e todos aqueles jardins maravilhosos que tanto embelezam nossa cidade.

Outro acontecimento memorável foi a visita que nos fez o EngQ Silva Costa, em agosto de 1927, para falar sobre a obra que iniciara
e que se constituía no ideal maior de sua vida, qual seja a de dotar o Pico do Corcovado com um monumento que viesse a ser o símbolo da cidade, assim como a Torre Eiffel o é de Paris. Confidenciou-nos, então, que a ideia inicial fora a de erigir uma cruz, uma gigantesca cruz, que pudesse ser vista por todos, de terra ou do mar. Mas se a cruz é a imagem perfeita da "simplicidade, da simetria e da espiritualidade," precisava ela ter alma e vida, o que exigia que tomasse a preciosa forma do divino personagem da redenção. E que pudesse envolver a todos num largo e divinal abraço.

É bom que nos lembremos, ainda, que foi na década de vinte que o rotarismo de fato se manifestou com toda a sua força em nosso país, com a fundação de outros clubes. Assim é que foram criados: o RC de São Paulo (1924); RC de Santos (1927); o RC de Belo Horizonte (1927); RC de Juiz de Fora (1928); RC de Niterói (1928); RC de Campos (1928); RC de Porto Alegre (1928); RC de Pelotas (1928); RC de Rio Grande (1928) e RC de Ribeirão Preto (1929). Este último, assim como os de Montes Claros (1926) e Friburgo (1930), encerrarai posteriormente suas atividades, para renascerem mais tarde.

Década de Trinta

Se a década de vinte testemunhou o nascimento cio movimeni rotário no país e sua caminhada em direção às principais cidades do sul, na década de trinta, célere, ele se expandiu para o norte. Iniciando-se com o RC de Recife em 1931, já em 1934 alcançaria Manaus.

Todo esse período foi também de importantes acontecimentos e grandes realizações, sendo impossível relembrá-los a todos. Há de se falar, entretanto, no entusiasmo como que os rotarianos viveram um pan-americanismo intenso, liderados pela figura ímpar de Juan Albertotti, que, argentino de nascimento, dizia-se do mesmo modo uruguaio e brasileiro. Todavia as relações entre alguns outros países sul-americanos não eram, igualmente, estreitas e cordiais e, por isso, a atuação do Rotary Club do Rio de Janeiro, juntamente com seus coirmãos do Prata, se fez necessário. Podem os rotarianos de hoje se orgulhar do esforço magnífico então desenvolvido, compartilhado,inclusive, pêlos rotarianos dos próprios países em litígio.

Quando da passagem da década, o Tratado Tacna-Arica, consubstanciando uma solução arbitrai, já havia sido firmado, pondo fim a uma disputa de fronteiras entre Chile e Peru, o que foi motivo de regozijo para os rotarianos do nosso clube. Também foram objeto de grande alegria a assinatura do Tratado Mangabeira-Ortiz, terminando uma questão de fronteira, entre a Colômbia e o Brasil, que durou quase três séculos; e a solução para o incidente Peru-Bolívia, envolvendo Letícia, para o que foi proveitosa a interferência do R.C. do Rio de Janeiro.

Outras disputas, entretanto, já se prenunciavam como inevitáveis. Por essa razão, expediu o nosso clube, através de seu Presidente Edmundo de Miranda Jordão, em outubro de 1933, uma mensagem a todos os clubes de Rotary do continente, conclamando a todos que contribuíssem para a pacificação da família sul-americana. Na oportunidade, convém recordar que, anteriormente, em 24 de dezembro de 1926, em nome da fraternidade universal, Oscar Weinschenk, nosso presidente, enviou mensagem a todos os clubes de Rotary do mundo, num total de 2.700.

Não obstante o desejo de todos, um grave conflito veio a eclodir, envolvendo o Paraguai e a Bolívia, conhecido como a Guerra do Chaco Boreal. Nesse episódio, mais uma vez atuou o Rotary Club do Rio de Janeiro com objetividade e firmeza, colocando-se na posição de mediador na disputa. As cartas, os apelos, as propostas endereçadas às partes envolvidas, encaminhados através das unidades rolarias dos diversos países sul-americanos, estão transcritos, em pormenores, em nossos anais, e podem afiançar o quanto tudo isso contribuiu para o fim do conflito e, em especial, para que os prisioneiros de guerra fossem tratados com mais generosidade.

Mas se falamos de lutas e conflitos, urge falar também dos momentos sublimes de solidariedade continental. Cumpre pois lembrar a visita do General Agustin Justo, Presidente da Argentina, ao Brasil, máxime porque, naquela ocasião, foram firmados, no Rio de Janeiro, doze importantes tratados, dentre os quais o Tratado Antibélico de Não Agressão e Conciliação, que, pelo seu alto significado, suscitou do companheiro Juan Albertotti as seguintes palavras: "Não há mais barreiras, não há mais duas nações: somos uma única nação." Releva enfatizar que S. Exa., o General Justo, a despeito de sua ocupadíssima agenda oficial, demostrou especial apreço pêlos rotarianos, recebendo-os em audiência no Palácio Guanabara. E é bom que se saiba que cinqüenta de nossos companheiros participaram desse evento.

A memorável visita do General Justo é retribuída por Getúlio Vargas em 1935, exatamente quando aquele país celebrava, com grande pompa, em 25 de maio, mais um aniversário de sua independência. O que houve ali, segundo palavras de Rodrigo Octavio, foram manifestações populares nunca vistas anteriormente. Em determinado momento dos festejos, em meio a discursos, parada militar e exibição de bandas marciais, na Plaza de Mayo, inicia-se uma imensa revoada de pombos, que traziam ao pescoço pares de fitinhas com as cores das duas grandes nações irmãs, verdes e amarelas, e azuis e brancas. Nessa ocasião, o povo foi ao delírio e as autoridades presentes, esquecendo-se por instantes do protocolo, abraçavam-se e exultavam de alegria.

Foram tão fortes essas emoções e sinceros os sentimentos que, em 1942, quando o Brasil declarou guerra aos países do eixo, mantendo-se neutra a Argentina, aquele mesmo Agustin Justo apresenta-se ao Governo do Brasil, como general honorário de nosso exército, disposto e pronto para combater ao nosso lado.
Também experimentou o Brasil, nessa década, os seus próprios conflitos e angústias. Em 1930, lamentamos a humilhação de Júlio Prestes, ao receber, na Europa, a notícia da deposição de Washington Luiz, exatamente quando era recebido pêlos maiores estadistas do velho mundo, na qualidade de presidente eleito do Brasil.

Pouco depois, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, que "ceifou a mocidade cheia de esperança e a velhice plena de experiência", não se limitaram os rotarianos a demostrar o seu pesar pelo derramamento de sangue de tantos brasileiros, observando momentos de silêncio no início de suas reuniões plenárias. Na verdade, respondendo aos apelos dos rotarianos de outros estados, assim como de Buenos-Aires, empreendeu o clube um notável trabalho de mobilização de todas as forças vivas da nação, na busca de um honroso entendimento que pudesse por fim à luta fratricida. E assim, representando também toda a sociedade brasileira, dirigiu-se aos responsáveis pela vida pública do país e aos constitucionalistas, em particular, transmitindo-lhes apelos de paz e de concórdia. E sendo Ministro Interino da Justiça o Dr.

Francisco Campo, rogou o clube a S. Exa. que permitisse ao serviço oficial de rádio transmitir notícias relativas à saúde entre as pessoas aqui residentes e seus familiares em São Paulo, já que haviam sido cortadas todas as comunicações entre as duas cidades. Esse pedido foi atendido em 24 horas, e em decorrência das circunstâncias, graças ao trabalho de nosso clube, foi possível levar-se um pouco de tranquilidade e de paz a centenas de famílias.

Em 1935, o Almirante Álvaro Alberto, pai da energia nuclear no Brasil, então presidente do clube, quebrando o protocolo e levando os rotarianos às lágrimas, sacou de nossa panóplia o Pavilhão Nacional, para desfraldá-lo, vibrante e demoradamente, sobre o plenário, numa demonstração cívica de revolta e de dor pêlos que, na véspera, haviam tombado vítimas da Intentona.

No terreno particular das cousas do Rotary, três importantes acontecimentos marcaram a década. A Assembleia de Presidentes e Secretários do Distrito 72, realizada em 1930; a viagem de Paul Harris ao Brasil em 1934; e a estadia entre nós de Maurice Duperrey em 1937, primeiro presidente do Rotary International a visitar-nos.

A Assembleia de Presidente e Secretários, a primeira do género, foi realizada no Rio de Janeiro nos dias 29 e 30 de agosto, inserida no programa da 2- Assembleia Distrital do novo distrito, exclusivamente brasileiro, já que, até então, partilhávamos com o Uruguai e Argentina o antigo Distrito 63, alternando-se os países na indicação do seu governador. Constituiu-se, na verdade, como disse Amarante, numa reunião de executivos, onde não foram previstos eventos sociais. Tratava-se de um fórum de trabalho, de aprendizagem e de treinamento, já que dos doze clubes então existentes e ali representados (o RC de Porto Alegre não pôde participar), somente os clubes do Rio, de São Paulo e de Santos, tinham mais de três anos de vida.

E porque era uma reunião de trabalho, os rotarianos de fora precisavam conhecer a sistemática de funcionamento de uma sessão de conselho diretor. Para isso, reuniram-se os participantes presentes, no Hotel Palace, no dia 30 de agosto, às 12 horas, numa grande mesa de almoço, cm torno de outra mesa onde estavam sentados os membros do Conselho Diretor do clube anfitrião. Dizem os anais que os rotarianos visitantes testemunharam, naquele dia, uma reunião modelar de conselheiros de uma unidade rotária.

Cumpre ressaltar, na oportunidade, que esse julgamento seria também válido para os dias de hoje, pois o nosso clube, desde as suas origens, vem sempre mantendo a tradição de promover duas reuniões semanais em almoço, uma plenária e outra para seu Conselho Diretor, o que lhe empresta a singularidade de ser, possivelmente, o único clube no Brasil a fazê-lo.

A visita de Paul Harris e sua querida Jean ao Brasil pode ser considerada como o mais importante acontecimento rotário experimentando pêlos rotarianos daquela época, não somente porque estavam conhecendo, de perto, o fundador de uma organização que, nascida despretensiosamente numa cidade dos Estados-Unidos, logo se espalhava por todo o mundo, mas sobretudo porque Paul e Jean eram de fato criaturas muito especiais. Sim, Paul Harris era um homem notabilíssimo, um ser predestinado, de compleição quase frágil, não muito alto, simples, caipira mesmo, cujos olhos azuis, vivos e penetrantes, logo inspiravam a todos confiança e entusiasmo, ao mesmo tempo em que irradiavam paz e tranquilidade.

Paul Harris, no Rio de Janeiro, foi recebido por rotarianos solícitos e entusiasmados, entre eles os chamados de "batutas do Rotary", a saber, Rodrigo Octavio, Jô Fernandes e Alberto Amarante, sem que se possa esquecer a figura nobre e imponente de Augusto Niklaus, hoje, o decano de nosso clube, com 62 anos de excelentes e ininterruptos serviços prestados à nossa instituição.

Paul cumpriu uma pesada agenda no Rio de Janeiro, sendo recebido pelas mais altas autoridades do país, inclusive por Getúlio Vargas, em Petrópolis, mas não deixou de vivenciar a intimidade familiar dos rotarianos que o acolheram. Assim, Jean e ele participaram da festa de aniversário de Carmencita, filha de Niklaus, saborearam taças de chá oferecidas por Jô e Suzie e, em Petrópolis, hospedados por eles, lhes foi preparada uma autêntica feijoada brasileira.

Ao deixar o Brasil, proferiu Paul Harris sua mensagem de despedida através do microfone do Departamento Nacional de Propaganda, na Hora Nacional, dizendo-se altamente impressionado com a cidade de Santos, onde desembarcou, com seu moderno porto pleno de navios carregados de mercadorias destinadas a todas as partes do mundo, e com as terras altas do planalto paulista, onde as plantações de café se estendiam por milhares de acres, assegurando ao mundo um suprimento inexaurível do precioso líquido. De São Paulo, disse-nos de sua surpresa ao constatar que, em pleno coração do Brasil, erguia-se uma das mais modernas e industrializadas cidades da época, muito mais racionalmente urbanizada e estruturada do que a sua própria Chicago.

E do Rio, disse simplesmente maravilhas. Disse mais: "Jean e eu sabíamos, por amigos, que iríamos veraqui uma das três mais belas cidades do mundo. Mas eles estavam enganados. O Rio de Janeiro não é absolutamente uma das três, mas a mais bela cidade da terra. Agora, sim, podemos voltar felizes para os Estados-Unidos, Jean e eu, porque tivemos a ventura de adorar a beleza suprema em seu próprio santuário."

A presença de Maurice Duperrey entre nós, em 9 de setembro de 1937, foi o terceiro fato auspicioso de década. Chegando às vésperas do Dia da Independência, Maurice foi homenageado pelo Prefeito do Distrito Federal, Henrique Dodsworth, que o convidou a assistir, da tribuna de honra, a Parada de 7 de setembro.

A menção à visita de Maurice Duperrey, faz-nos lembrar o quanto o Rotary Club do Rio de Janeiro tem contribuído para ao culto aos símbolos nacionais. Em 19 de novembro de 1925, nos primórdios do Rotary em nossa terra, realizou o clube a sua primeira festa cívica e o fez em comemoração ao Dia da Bandeira, para o que foram convidadas altas autoridades e indicado, como orador, o eminente rotariano Dr. Reynaldo Porchat, presidente do Rotary Club de São Paulo.

No que se refere à saudação que prestamos ao Pavilhão Nacional, no início e término de todas as nossas reuniões, constitui-se numa praxe iniciada em l929, por proposição de nosso companheiro Jorge T. Wishart, estendida depois a todos os clubes de Rotary do Brasil por recomendação da Ia. Conferência Rotária do Distrito 63, parte brasileira. Em 9 de setembro de 1937, para marcar a presença de Maurice Duperrey ao nosso clube, resolveu o então presidente do clube, Ignácio Azevedo do Amaral, mandar colocar, entre as bandeiras coloridas de nossa panóplia, um grande mastro central, para que a nossa bandeira pudesse ser saudada, antes e depois de todos os nosso trabalhos, ao ser içada e arriada, com maior pompa.

Essa prática foi enriquecida por Condorcet Rezende, em 1979, introduzindo o içar e o arriar ao som do Hino à Bandeira. Também não podemos esquecer que, sempre que se saúda as Nações Unidas no seu dia, antes do início das reuniões, introduzimos no plenário, sob palmas vibrantes, a bandeira do Brasil, seguida, uma a uma, de todas as demais bandeiras nacionais de nossa panóplia.

E para terminar o relato da década, cientes de que muita cousa deixou de ser dita, cumpre relembrar a aflição por que passaram os rotarianos de todo o Brasil, em 18 de abril de 1938, com a assinatura, pelo Presidente Vargas, do Decreto-lei 383, que proibia o funcionamento, no território nacional, de sociedades, entidades, clubes, fundações e todo e qualquer estabelecimento vinculado a organismos internacionais, que tivessem entre seus objetivos a divulgação de ideologias políticas ou que professassem ideias ou filosofias originárias em instituições estrangeiras. Esse instrumento de lei abalou, fortemente, o movimento rotário brasileiro e repercutiu além fronteiras. Alguns clubes suspenderam suas sessões e muitos rotarianos se demitiram, especialmente aqueles ligados a órgãos de governo. O nosso clube ressentiu-se profundamente desse episódio, pois o próprio presidente e alguns diretores tiveram que renunciar, o que nos obrigou a eleger novos membros para o Conselho Diretor.

As dificuldades pareciam insuperáveis e, mais uma vez, o Clube do Rio assumiu a missão de contornar a situação, já que se encontrava bem mais perto dos governantes do país. José Nascimento Brito, nosso governador, requereu uni prazo para que o Rotary se adaptasse à nova situação, enquanto Jô, Rodrigo Octavio e Amarante, os "três batutas", procuravam desesperadamente, entre seus amigos do governo, fórmulas que os ajudassem a superar o impasse. E ela foi obtida, sujeita todavia à aprovação final de Rotary International, através de uma modificação na redação de um dos artigos de nossos Estatutos, em que a vinculaçào, por filiação, à Rotary International, por sugestão de nosso grande amigo e sócio honorário Francisco Negrão de Lima, transformou-se em vinculação por cooperaçao. Há nos arquivos do clube, muito vem guardada pela Comissão de Preservação da Memória do Rotary Club do Rio de Janeiro, uma folha de papel muito antiga, rascunhada com a letra do próprio Negrão de Lima, com as benfazejas sugestões que salvaram o Rotary do Brasil. Felizmente, tanto o Ministro da Justiça quanto o Rotary International entenderam que aquela modificação semântica solucionaria definitivamente a questão. Essa relíquia a que nos referimos acima, herança de Alberto Amarante, nos foi doada pelo seu filho Flávio. Durante a década de trinta, o clube teve a honra de ver uni dos seus mais destacados associados, o grande geólogo Miguel Arrojado Lisboa, indicado para o cargo de governador do nosso distrito 72 e, já no ano seguinte, escolhido para membro da diretoria do Rotary International, cargo dos quais desincumbiu-se tão bem, que voltou a ser reeleito governador do nosso distrito. É pena que a morte o tenha levado tão cedo, não podendo tomar novamente posse. Na reunião seguinte ao seu passamento, os rotarianos deixaram a sua cadeira vazia e, sobre ela, um bouquetáe. rosas, demostrando a nossa tristeza e a nossa saudade. Foram ainda governadores, na década, os nosso companheiros José do Nascimento Brito; e, depois da divisão do distrito brasileiro em quatro outros distritos, José Manoel Fernandes, este já do distrito 27, É oportuno que mencionemos, desde já, os nossos governadores até o ano de 1960: António B. Cavalcanti (1947-48); Paulo Dias Martins (1950-51); João Pedro Thomaz Pereira (1952-53); Alberto Pires Amarante (1955-56) e Américo Rodrigues Campello (1958-59). Américo, nosso rotariano mais antigo logo depois de Niklaus, durante a sua governadoria, cunhou o lema que será
eternamente lembrado, por seu conteúdo filosófico e beleza poética: Rotary. Um património a preservar. Um ideal a difundir. Um presente a defrontar. E um futuro a construir.

Década de Quarenta

Os anos quarenta e as notícias sobre a guerra na Europa eram cada vez mais preocupantes. As invasões sucessivas de países amigos, o fechamento de tantos e tantos clubes de Rotary, a guerra submarina, os bombardeios aéreos, tudo enfim contribuía para tornar aquele período o mais angustiante de tantos quanto vivemos. O conflito ainda não nos havia atingindo, mas a onda de boatos no país, o medo da quinta coluna, o blecaute em nossas cidades litorâneas, a construção de abrigos anti-aéreos nos edifícios ainda não concluídos, tornaram aqueles dias plenos de expectativas e inquietações. Por fim, a notícia do torpedamento de navios mercantes brasileiros em mares nordestinos abateu-se tão fortemente sobre todos, que os rotarianos logo decidiram constituir uma comissão especial para levantar fundos, com que se pudesse doar às Forças Armadas uma poderosa arma de guerra, capaz de lavar a honra nacional. Grande foi a quantia arrecadada e, ao final, sobrevindo a razão, resolveu a comissão que o dinheiro deveria ser entregue ao recém-criado Ministério da Aeronáutica para aquisição de um avião ambulância, que seria usado para salvar vidas, de quaisquer dos lados, e não para causar a morte ou a destruição. Os frutos daquela vitoriosa campanha permitiram, não apenas a compra do "Ana Nery", doado à FAB em outubro de 1943, como também a aquisição de dois aviões de treinamento P-40, batizados com os nomes de "PRACINHA" e "TENENTE MÁRCIO PINTO". Quando da solenidade de entrega dessas duas aeronaves, em junho de 1945, presentes as mais destacadas autoridades da FAB, rotarianos e familiares, o saudoso companheiro Norberto Pinto Júnior, do Rotary Club de Juiz de Fora, em sua oração, reverenciando a memória de todos os pracinhas que haviam derramado o seu sangue em terras da Itália, desfraldando a bandeira da liberdade, dente eles o Tenente Márcio Pinto do Exército Brasileiro, seu próprio filho, dizia, sob forte emoção: "deixo aqui o meu agradecimento, na esperança de que esse avião, em cuja carlinga está gravado o nome do mais humilde soldado do Brasil, bem assim todos os demais aviões da gloriosa Força Aérea Brasileira, não sejam no futuro portadores do horror e da destruição, mas os mensageiros da paz, da amizade e da confraternização entre os povos da terra".

Eis que chega, para alegria de todos, naquele ano de 1945, considerado, por muitos, o limiar da era tecnológica, mas também o ano da paz e da esperança. E se havíamos participado, com o nosso pequeno quinhão, do esforço de guerra, deveríamos, sobretudo, ao renascer da paz, celebrá-la com honras e grandiosidade. Para tal, o Rotary Club do Rio de Janeiro, sob a presidência do grande líder e anfitrião que foi José Pacheco do Aragão, pai do nosso companheiro Fernando Aragão, decidiu promover, no Teatro Municipal, no dia 29 de junho, uma das mais belas cerimónias cívico-culturais já realizadas em nossa cidade, não apenas pela presença das mais seletas autoridades, como também pêlos grandes artistas brasileiros que dela participaram, pelo alto significado histórico que a inspirou e pela grande emoção que a todos envolvia.

Naquela ocasião, os vibrantes discursos de Aragão e Rodrigo Octavio, os versos dos companheiros Bastos Tigre e Noraldino Lima, um saudando os heróis que voltaram e o outro pranteando os que tombaram na luta, logo no início da solenidade, já diziam da beleza do que estava para ser apresentado naquele espetáculo tão bem cuidado.

Em seguida, a orquestra sob a regência do maestro Eleazar de Carvalho, executava árias de Carlos Gomes e, logo depois, a Ouverture 1812 de Tchaikowsky. Ouvia-se, a seguir, o canto mavioso de Gabriela Benzasoni Lage com a Habanera da ópera Carmem de Bizet e o poema em homenagem a Churchill recitado pelo académico Filinto de Almeida, que, num certo trecho, dizia "Se há quem nele veja o homem que aferra pela gorja o inimigo e o fere e o abate. Eu vejo muito mais - vejo a Inglaterra."

A plateia mal podia respirar de emoção. Eis que se ouve então a voz de poetisa Stella Leonardos declamando versos entremeados de glória e de dor, falando de Techeco-Slováquia, Polónia, Inglaterra, Canadá, França, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, Grécia, lugoslávia, Rússia, Estados-Unidos e Brasil. E à medida que se referia a cada um desses países, no grande palco, em cenários que se sucediam e se sobrepunham, com efeitos visuais até então jamais vistos, senhoritas da sociedade carioca, portando as bandeiras das nações, lembravam episódios vividos e sofridos por cada uma delas durante o conflito. Tudo, enfim, contribuía para "deixar a assistência, de um lado, em profundo êxtase e, de outro, em indizível sobressalto com receio de que toda aquela beleza fosse acabar".

De repente o Municipal fica às escuras. Logo depois os refletores dirigem focos de luz em direção às duas alas laterais da plateia, por onde entram, garbosos, em formatura de coluna, marinheiros, aviadores, fuzileiros navais e soldados do Brasil, como que abraçando os rotarianos e convidados, prestando-lhes continência.
Mas logo eles desaparecem, em novo jogo de luzes, para aparecerem finalmente, sobre a ribalta, como guardas de honra do "Pantheon da Vitória", formado pela bandeira de todas .;s nações aliadas, sob o domínio da imagem da paz.

Esse o final "deslumbrante, feérico, indescritível," da Festa da Vitória. E é bom que sempre tenhamos em mente as palavras proferidas por Rodrigo Octavio naquele dia: "Amigos! Cantemos a Vitória! Lembremos Roosevelt, todavia. A estrutura da paz universal não pode ser constituída por um só homem, por um só partido ou por uma só nação. Não pode ser uma paz americana, britânica, russa, francesa, ou chinesa. A paz exige o respeito e a colaboração de todos os países do mundo."

E meditando hoje sobre o programa dessa grande festa, somos levados a crer que a introdução de música de Tchaikowsky, retratando a Batalha de Borodino, foi posta para que as gerações futuras entendam que não vale a pena a porfia, pois o inimigo de ontem poderá ser o grande amigo de hoje, como foram França e Rússia, em 1812 e em 1945, e assim como o Brasil e a Alemanha, em 1942 e em 1993.

Outro importante evento internacional de grande significado, coordenado, também, por José Garcia Pacheco do Aragão, ocorreu em nosso plenário em 1949, quando a bandeira da ONU foi entregue ao presidente de nosso clube, em reunião solene do dia 21 de outubro, para que tremulasse, pela vez primeira, em terras da América do Sul, presentes o Marechal Eurico Dutra, Presidente da República, o Chanceler do Brasil, Dr. Oswaldo Aranha, ministros de estado, corpo diplomático e altas autoridades.

João Pedro Thomas Pereira, nosso então presidente, lembrando-se ainda do talento insuperável de Stella Leonardos, saudando as nações na Festa da Vitória, convida-a para que novamente viesse fulgente emprestar ao Rotary o valor de sua poesia. E suas palavras naquela ocasião ainda ressoam, magníficas, no ouvido de quantos tiveram a felicidade de escutá-la: "Meus amigos. Deixai que eu vos fale (...) o mundo sobrevive. O mundo que morria (...) ONU-laço de união. ONU-paz coletiva. ONU-reconstrutora (...) Que entoes sempre o cântico de Hosana. E que tornes feliz esta existência insana (...) Que todos sejam irmãos sem que haja preconceito. Para que o fraco encontre apoio no Direito (...) E que em vez de canhões surjam escolas e altares, estradas e hospitais (...) Desfralda-te bandeira (...) Que possa o teu azul exprimir céu e terra. Que possa o branco teu ser paz universal (...) Que sigas aclarando o destino dos povos, apostilando o bem e libertando vidas. Por um mundo melhor, a ti, Nações Unidas."

Querida Stella Leonardos, podes estar certa de que a força e o esplendor de teus versos, tão carregados de humanismo e solidariedade, concebidos, em teu coração, a pedidos de nós outros rotarianos, engalanaram de tal sorte aquelas duas inolvidáveis festas, como o fizerem em outras ocasiões, que podemos afirmar, contritos e sinceros, que sem eles a História de nosso clube, em particular, e do rotarismo no Brasil, seria bem menos rica.

A década de quarenta reserva-nos ainda mais surpresas. A realização de uma Convenção International do mundo rotário em nosso país, desejada pêlos rotarianos desde 1926, realiza-se, finalmente, na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 16 a 20 de maio de 1948, congregando cerca de 8.300 rotarianos, dos quais 2330 de 35 diferentes países.

Tudo foi preparado com carinho e esmero e o programa se iniciou com o desfile triunfal do Presidente do Rotary International, S. Kendrick Guernsey, e sua esposa pelas ruas do centro da cidade, em carro aberto, sob o aplausos vibrantes dos cariocas. A abertura solene da Convenção, no Estádio do Fluminense, contou com a presença, mais uma vez, do Marechal Eurico Dutra e do Prefeito Angelo Mendes de Morais, ambos merecedores do respeito e da admiração dos rotarianos, pelo irrestrito apoio que deram à Convenção, razão por que, logo depois, foram proclamados sócios honorários do Rotary Club do Rio de Janeiro.

Nos jardins e andar térreo do Edifício do Ministério da Educação, no Castelo, na ocasião obra prima da arquitetura moderna brasileira, foi instalada a FriendshipHouse(Casa da Amizade), local tradicional, previsto em todas as convenções internacionais do Rotary, destinado a acolher as esposas dos rotarianos, permitindo conhecerem-se melhor, umas as outras, e usufruírem momentos de intenso companheirismo. Ali, sentadas em mesinhas artisticamente postas, à sombra de guarda-sóis protetores, deliciaram-se as de fofa saboreando iguarias típicas da cozinha nacional, regadas a guaraná, sucos tropicais e água de coco, ao mesmo tempo em que escutavam músicas brasileiras. Esse evento viria a influenciar o nome que foi dado, mais tarde, às associações filantrópicas criadas pelas esposas dos rotarianos do Brasil, que as chamaram de Casas da Amizade.

Além da parte rotária propriamente dita, desenvolvida nos Teatros Municipal e Fénix, uma para ouvintes de língua inglesa e o outras de língua portuguesa, quando os assuntos de interesse da instituição foram discutidos exaustivamente, todo um elenco de festejos foi previsto para que se pudesse divulgar convenientemente as cousas do Brasil. Cumpre lembrar que, naquele tempo, não havia, senão o Touring Club que conosco sempre se associava para esse fim, órgãos oficiais de promoção de turismo, o que valoriza ainda mais o esforço do Rotary em mostrar aos visitantes toda a nossa beleza tropical.

A Friendship Hotise, nos jardins do Ministério da Educação, já mostrara a hospitalidade de nossa gente e a delícia da cozinha brasileira. Era preciso, também, que eles vissem, mais de perto, o encanto das noites cariocas na Baía de Guanabara. Para isso foi concebida a Festa Veneziana.

E não houve quem se esquivasse de colaborar. Escolhido o local, a enseada do Flamengo, ali fundearam, ao largo, navios da Marinha de Guerra, embandeirados em arco. De dia as bandeiras coloridas de seus regimentos de sinais demarcavam-lhes a forma; á noite, as luzes das gambiarras ressaltavam ainda mais suas silhuetas. Ao longo do cais, sobre as calçadas, a Prefeitura armou largas arquibancadas para que o povo do Rio de Janeiro pudesse também participar do espetáculo. E a festa se inicia com o desfile de lanchas e barcos pequenos, trazendo a bordo visitantes, rotarianos e autoridades. Navegando na raia que fora balizada, entre os navios iluminados e a amurada do Flamengo, sob o foco dos holofotes do Exército dispostos nos extremos da praia, eram todos vibrantemente aplaudidos, pois o esplendor era por demais contagiante. E, por fim, de bordo dos navios, uma salva de fogos de artifício transforma aquela visão num cenário de magia e sedução inesquecível, para os da terra como para os visitantes d'além mar. Valdir da Rocha, nosso sábio companheiro e sócio honorário, que ainda guarda na memória a beleza daquela noite, nos diz sempre que a Festa Veneziana foi realmente o evento que popularizou o Rotary em nossa cidade.

Os convencionais tiveram outros grandes momentos de convívio social: a tarde no Jockey Clube; a recepção do Presidente Guernsey no Palácio Guanabara; e o Garden-Party oferecido pelo Prefeito na Gávea.

E como não podia faltar momentos de ternura e arte, embora, na Abertura da Convenção, no Fluminense, já tivesse havido apresentação cénica de passagens notáveis de nossa História, acompanhada pelo concerto sinfónico da Orquestra do Teatro Municipal, sob a regência do maestro Eleazar de Carvalho, promoveram ainda os rotarianos uma outra surpresa, a chamada Noite Brasileira. Na Quinta da Boa Vista foi armado um grande palco, para o que não faltaram os elementos da própria natureza, inclusive uma ilhota dentre do lago. Quatro orquestras, dois grandes conjuntos corais e 250 moças e rapazes de nossa sociedade encheram aquela noite com números artístico e danças regionais de rara beleza.

A Convenção do Rotary International no Rio de Janeiro foi um evento grandioso, tanto sob o ponto de vista rotário, como pelo aspecto de divulgação de nossas tradições, de nossa cultura e da beleza da terra brasileira.

Mas as cousas do Rotary não são feitas tão somente pêlos rotarianos. Também às suas esposas, que com eles partilham do ideal rotário na atividade do dia-a-dia, devem ser creditadas grandes realizações. Em nossa cidade, basta lembrar a maior delas, a mais antiga e benemérita. Refiro-me ao SOS - Serviço de Obras Sociais, fundado, em 11 de agosto de 1934, por inspiração de um grupo das nobres Enfermeiras da Saúde Pública, lideradas pela Sra. Edith Fraenkel. À Edith Fraenkel Z. da Fonseca, Clélia Alevato, Lilian Sylvester e ao Dr. Olinto O. de Oliveira, logo se juntaram Eugenia Hamann, Jerônyma Mesquita, Stella Guerra Duval, Ema Hamann Negrão de Lima, Nanoca Dionísio Cerqueira, Leila Leonardo, Laura Rodrigo Octavio Filho, Ivone Pires Amarente, Irene Murgel Braga, Suzane M. Fernandes, Zulema de Castro Amado, Juracy Pacheco da Silva, Terezita Porto da Silveira, Baronesa do Bonfim, Augusta Hoddock Lobo; e Edwin M. Horgan, Juan Albertotti, Joaquim de Almeida Lustosa, Plínio Olinto de Oliveira, José do Nascimento Brito, Rodrigo Octavio Filho, Gustavo Lessa, Souza Figueiredo, Massillon Sabóia, Pinto Guedes, Jayme Praça, Oscar da Silva Araújo, João Pacheco Moreira, Pedro Magalhães Corrêa e António Ribeiro França Filho. Com essa plêiade de criaturas de Deus, com esses anjos do céu, foi possível tornar realidade o sonho das Enfermeiras da Saúde Pública e melhor atender a uma vasta parcela da população carente do Rio de Janeiro.

Desde a sua fundação, o SOS recebeu o apoio do Rotary Club do Rio de Janeiro, nas pessoas dos rotarianos já citados e, ainda, de Arthur Bastos, Wolf Klabin, Francisco Oliveira Passos, Galeno Gomes e outros, que figuram, também, na lista dos grandes beneméritos daquela instituição.

Na década de quarenta de que estamos tratando, fundou o SOS a sua Associação tlê Escoteiros do Mar (1942), trabalhou em auxílio das famílias dos brasileiros, civis e militares, vítimas do torpedeamento de nossos navios em mares do nordeste (1942) e inaugurou a Enfermaria Julius Weil na Vila SOS.

Hm 1952, com a fundação do Rotary Club de São Cristóvão, o apoio ao SOS passou a ser dado pelo novo clube afilhado, não apenas porque aquela instituição se localixa cm território sob jurisdição do São Cristóvão, como, também, e, sobretudo, porque entre os seus associados sempre houve rotarianos altruístas e generosos como, agora, Seraphin Donato.

O SOS, que atende hoje, entre ovitras, nove comunidades faveladas de grande densidade demográfica, é, certamente, para orgulho dos rotarianos do Brasil, "a semente que se tornou árvore e o regato que se tornou rio", como disse, certa vê/., o nosso decano Augusto Niklaus, também benemérito.

H não foi apenas o SOS que as senhoras dos rotarianos doaram à cidade do Rio de Janeiro, H preciso que recordemos, também, as Casas da Amizade. A primeira delas foi fundada por um grupo de senhoras, lideradas por Nair Valente, esposa de nosso saudoso companheiro Francisco Machado Valente, e destinava-se, inicialmente, a congregar as esposas dos rotarianos de nosso clube, para confecção de enxovais para gestantes carentes e obras sociais de toda a sorte. Já, agora, sob a denominação de Casa da Amizade da Família Rataria do Rio de Janeiro, reunindo as esposas dos rotarianos de todo o município do Rio de Janeiro, desenvolve, em ambiente de plena alegria e satisfação, um notável trabalho filantrópico de apoio a centenas de asilos, escolas e hospitais, doando enxovais, cobertores, instrumentos cirúrgicos, alimentos etc., além de promover, todos os anos, no Natal, belíssimas festas para as criancinhas asiladas de nossa cidade. O Rotary Club do Rio de Janeiro continua apoiando a Casa da Amizade, tanto financeiramente, através de contribuições das esposas de seus rotarianos, como também alojando-a em suas instalações na Avenida Nilo Peçanha, 26,12B andar, no Rio de Janeiro.

Nilza Frias, esposa de nosso companheiro Fduardo Cropalato Frias, celebrando o 42° aniversário da Casa da Ami/ade em 1990, na qualidade de sua Presidente, falando de Nair Valente e daquelas abnegadas fundadoras, comoveu por demais o plenário do nosso clube, ao recitar uni poema de Helena Ferraz, que, em certo trecho, dizia: "Olhemos para a criança. Preservemos o seu destino. Possui ninhos de esperança. Seu coração pequenino. E olhemos principalmente a criancinha semi-nua, que sujinha e indiferente anda jogada na rua."

A década de quarenta foi realmente muito rica em realizações e não menos importante foi a doação da Escola Rotary da Ilha do Governador à Prefeitura do Distrito Federal, com o que se marcou, indelevelmente, o Jubileu de Prata do rotarismo no Brasil.

A Escola Rotary não foi construída em um dia, nem tampouco em um ano. Entre a ideia inspiradora, surgida em 25 de novembro de 1927, quando da 1a Convenção Rolaria Brasileira, dirigida a todos os clubes então existentes, no sentido de que cada um deles viesse a doar à sua cidade um estabelecimento de ensino primário, e a sua concretização no Rio de Janeiro, em março de 1948, decorreram cerca de 20 anos. Quando a proposta foi apresentada em 1927, nosso saudoso companheiro Richard Monsen entregou ao Presidente Miranda Jordão um cheque no valor de um conto de reis, com o qual se constituiu um fundo especial para a obra pretendida. E a partir dai, a pouco e pouco, novas contribuições foram surgindo, campanhas foram realizadas, até que, amealhada a quantia de Cr$ 700.000,00, foi possível construir e entregar, em maio de 1948, ao General Angelo Mendes de Morais, Prefeito da Capital, a nossa querida Escola Rotary do Ilha do Governador. Dizem os anais que o nosso então presidente, Waldemar Luz, estava entregando à cidade, "em amplo terreno circundado de árvores frondosas (...), com salas amplas, perfeitamente adaptadas ao fim a que iriam se destinar, possuindo todos os requisitos modernos para estabelecimentos congéneres e com acabamento perfeito" aquele estabelecimento de ensino prometido em 1927. Em 1956 a Escola Rotary foi ampliada, também pelo Rotary Club do Rio de Janeiro, e, desde então, vem o clube colaborando com a sua manutenção, para o que conta com o inestimável apoio dos clubes rotários da Ilha e, para gáudio nosso, dos Fuzileiros Navais de nossa Marinha de Guerra.

No dia da entrega, simbolizando a amizade, foi plantado um exemplar de magnólia, "em cuja sombra desejavam os rotarianos ver abrigadas as crianças, que ali iriam ser moldadas no culto das virtudes, do amor à pátria e do respeito à religião."

No que concerne à marcha do rotarismo no Brasil, há de se mencionar o surgimento de outros clubes em nossa cidade, dentre mais de uma centena criados por esse país a fora. Na crista dessa grande onda, foram fundados, em 1949, o Rotary Club de Copacabana, dos saudosos Paulo Bastos e Darcy, organizado pelo nosso companheiro Lowndes; e o Rotary Club Tijuca, de Regalia e de Marino, o clube que já nasceu pronto. Os dois outros afilhados, os Rotary Clubs de São Cristóvão e Botafogo, que nos dariam Fritz Weber, Genival e Loja, somente apareceriam em 1953 e 1955.
E para encerrar o relato da década, cumpre relembrar que, já no início do período, o Brasil atingiria o vértice da pirâmide do Rotary, com a posse de Armando de Arruda Pereira ao cargo de Presidente de Rotary International.

Década de Cinquenta

Iniciou-se a década com honras e glória, pois tivemos a ventura de receber, sob a presidência de Américo Campeio, a figura eminente de André Maurois, o grande escritor e académico francês, convidado especial do clube para saudar a França em sua data oficial. E se falou sobre o Quatorzejuillet, evento maior da liberdade, em sua própria língua, também em francês recebeu os agradecimentos dos rotarianos, nas palavras de nosso companheiro Madureira de Pinho. Parecia que estávamos na Casa de Machado de Assis.

Outro grande acontecimento, ocorrido sob a presidência de Américo Campeio, foi a visita ao nosso clube do General Carlos Rômulo, representante das Filipinas junto à ONU e presidente da 4-Assembléia Geral das Nações Unidas. A ocasião exigia a presença do Presidente da República, que se fez acompanhar por ministros de Estado, magistrados, representantes do corpo diplomático, congressistas e altas patentes militares. Escolhido o Teatro Municipal como local da solenidade, programada para o dia 24 de outubro de 1950, são nomeados oradores o nosso companheiro Assis Chateaubriand, diretor dos Diários Associados, e Carlos Lu/, que viria a ser, pouco depois, Presidente da República. Carlos Lu/ fala sobre a importância das Nações Unidas, enquanto que Assis Chateaubriand enaltece ainda a atuação do homenageado frente à 43 Assembleia que acabara de suceder e conclui: "só me resta agora prestar uma homenagem a Senhora Carlos Rômulo, também presente entre nós, e o farei chamando-a, carinhosa e respeitosamente, de "Iracema do Pacífico". Disse-nos certa vê/ Helena Aragão, esposa de Fernando Aragão e filha de nosso saudoso Moraes Barros, que a Senhora Rômulo era uma mulher extremamente formosa, o que explica aquele gentil galanteio de Chateaubriand. Seguiu-se, como de praxe nas reuniões mais antigas de nosso clube, uma hora de arte, quando foi apresentado o bailado Bodas de Aurora pelo Corpo de Baile de Teatro Municipal, com música de Tchaikowsky, e, por fim, a Apoteose às Nações Unidas, sincroni/ada com o Hino ao Sol de Mascagni.

Fm março de 1951, Afonso Arinos de Melo Franco vem ao plenário do Clube do Rio para falar sobre a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em 10 de dezembro de 1948, documento cuja elaboração contou com a "liderança vital do Brasil, através da inteligência de Austregésilo de Athayde", nas palavras do Presidente Jimmy Cárter. V. inúmeras ve/es tivemos a honra de ter como orador do dia o próprio Austregésilo para falar sobre os direitos universais, que se confundem com os ideais cio Rotary.

Fm agosto desse mesmo ano, o Prefeito da cidade de São Paulo, Armando de Arruda Pereira, e o Dr. João Carlos Vital, Prefeito da Capital Federal, encontram-se em nosso plenário, por iniciativa do então Presidente Sydney Muni/ Gregory, sendo ambos homenageados e saudados por Carlos Luz.

Fim 16 de maio de 1953, cumprindo plano apresentando pelo companheiro Marcos Carneiro de Mendonça, o Rotary Club do Rio de Janeiro, presidido pelo Almirante Dodsworth Martins, promove, nas matas da Tijuca, a inauguração do nosso primeiro Arboreto Kotário, onde foram plantados exemplares da flora de países de todo o mundo.Ainda em 1953, no dia 15 de março, Juscelino Kubitschek de Oliveira, então Governador da Minas Gerais, é recebido com alegria e distinção em nosso clube, convidado que fora para falar sobre "Fnergia e Transportes no Desenvolvimento do Brasil". Suas palavras, que se tornaram realidade mais tarde quando o país o teve como Supremo Magistrado, estão guardadas em nossos anais para as gerações futuras.

Coordenado por Pacheco do Aragão e por iniciativa do Presidente Manoel de Moraes Barros, o Jubileu de Ouro de Rotary foi celebrado em 23 de abril de 1955, na Floresta da Tijuca, presentes o Presidente da República, nosso companheiro Carlos Luz, autoridades e o corpo diplomático. Para esse evento, que se chamou Festa da Confraternização Universal, foram armados quiosques decorados com as cores dos 52 países ali representados, onde os convidados eram recebido por senhoras e senhoritas vestidas em trajes típicos.
Aberta a solenidade com o hasteamento das bandeiras nacionais, seguiu-se o plantio de árvores de cada região do mundo, iniciando-se com uma muda de ipê, plantada por Carlos Luz. Ao final do Garden-Party, as senhoras e senhoritas deixaram os seus quiosques e brindaram os convidados com danças folclóricas de cada país.

Outro evento que marcou época, aconteceu em 17 de agosto de 1956, sendo o clube presidido por Álvaro Borgeth Teixeira. Em sessão solene, com a presença do presidente do Rotary Club de São Paul >, João Baptista de Figueredo, primo e homónimo do futuro presidente do Brasil, foi prestada justa homenagem aos correspondentes estrangeiros e representantes das agências internacionais de notícias. Fm ambiente de muita camaradagem, confraternizaram-se rotarianos e jornalistas da United Press, Time Magazine, Mac Graw Hill e CBS, N. Y. Times, I:rance Soir, Nações Unidas e da Embaixada Britânica. O Rotary, que teve entre os seus fundadores I lerbert Moses e, mais tarde, Assis Chateaubriand, sempre demostrou especial carinho pela imprensa, tanto assim que, nos primeiros anos, ás atas das reuniões e as palestras eram publicadas em jornais do Rio de Janeiro.

No ano de 1956, na presidência de Ildefonso Lardosa, dois fatos merecem destaque: a viagem da Árvore da Amizade e a Campanha Mantenha a Cidade Limpa.

O primeiro foi de rara beleza. Conhecendo Ildefonso o Capitão-de-Fragata Thoríbio Lopes, oficial de marinha de muito talento e cultura, embarcado no Navio-Escola Duque de Caxias, que deveria zarpar para uma viagem ao exterior com nova turma de guardas-marinha, conceberam os dois a feliz ideia de embarcar, também, naquele vaso de guerra, uma muda de pau-ferro, árvore nativa do Brasil, para ser exibida em todos os países que seriam visitados.
C) plano foi aprovado e aquela plantinha, cuidadosamente entregue à nossa Marinha, experimentou a sensação maior da internacionalidade. Enfrentando ventos de todos os quadrantes, reverenciada, na palavras de Rodrigo Octavio, "pelo respeito da brava Maruja Brasileira, que nela contemplava um pedaço vivo do Brasil, singrou quase todos os mares: o Atlântico Norte e Sul, o Mediterrâneo, o Tirreno, o Jónico, o Egeu, o Mármora e o Nórdico. Com o Duque de Caxias fundeou no Bósforo e avistou Constantinopla; atravessou os estreitos de Gibraltar, Dardenelos, Messina, Sund, Kategat e Skagerrak; navegou pêlos rios Elba, Mass, Tejo e Delaware; bordejou por praias e portos da França."
Finalmente, no dia 22 de março de 1957, sob os olhares atentos das mais altas autoridades e embaixadores de 13 países, a árvore viajante, já de volta ao Brasil, foi transplantada para um canteiro que lhe fora preparado na praça Mauá e adubada com terras da Alemanha, de Cuba, da Dinamarca, do Egito, dos Estados-Unidos, da França, da Grécia, da Itália, da Noruega, de Porto-Rico, de Portugal, da Suécia e da Turquia, que foram trazidas, em artísticas urnas, de cada um dos países visitados.

Esse fato singular, de tão sublime significado, de que fomos nós próprios testemunhas, assim como o nosso querido companheiro Hélio Barata, ambos embarcados no Duque de Caxias, não teve todavia um final feliz. Aquela árvore, chamada da Amizade, veio a ser inopinadamente abatida, em nome do progresso, por ocasião da remodelação da Praça Mauá para a passagem do Viaduto da Perimetral. Cousas da civilização.

O segundo evento, que aconteceu em 23 de novembro de 1956, foi a Campanha Kotary Club-Mantenba a Sua Cidade Limpa, promovida juntamente com os Rotary Clubs de Copacabana, Tijuca e Botafogo. A primeira cesta, de um total de cem adquiridas naquela ocasião, com o nome da campanha gravada em placa a elas aposta, foi colocada pelo rotarianos na Rua do Passeio, em solenidade que contou com a presença do Prefeito da cidade.
Destacaram-se, pelo trabalho de divulgação do evento, os nossos companheiros Moraes Sarmento e Roberto Petis Fernandes, este, na época, ainda membro do Rotary Club de Botafogo. Campanhas semelhantes foram realizadas em 1960 e 1967.
Estamos agora no ano de 1958 e já há trinta e cinco anos vinham os rotarianos do clube entendendo-se com gente de todos as nacionalidades, raças e crenças, na busca da compreensão mundial. De fato, os registros indicavam que presidentes, ministros, escritores, artistas, cientistas, príncipes e heróis haviam sido convidados para apresentar suas ideias e discuti-las em plenário, onde foram sempre recebidos com muita fidalguia e a quem haviam sido prestadas justas homenagens.
Houvera sido um bom trabalho, exatamente o que Rotary desejava. Por certo ninguém havia sido esquecido e, por isso, todos estavam muito felizes naquele início de ano. Mas, de repente, dão-se conta de que alguém não havia sido lembrado, alguém muito especial, exatamente os donos da terra, os primeiros brasileiros, aqueles a quem hoje chamamos de povos da floresta.
A falha precisava ser corrigida e disso encarregaram-se António França Filho, presidente do clube, e o rotariano Emílio Lourenço Filho.

E que tarde inesquecível. Na reunião de 3 de janeiro de 1958, na mesa de honra, ao lado de França Filho, era anunciada pelo diretor de Protocolo a presença do missionário Roberto Butler e, a seguir, Tipé e Tirimissi, da tribo dos Xavantes, e Cotaria e Orrori, da tribo dos Carajás, com suas indumentárias características e com armas de caça e de guerra.

Sobre aquela reunião, nada precisa ser dito, senão o que está registrado na ata dos trabalhos do dia, cuidadosamente guardada em nossos arquivos: "convido agora para virem ao microfone os dois índios carajás, que vivem na ilha do Bananal, à beira do rio Araguaia. A ilha fica entre dois braços do rio Araguaia. Cotari e Orrori já falam o português. Têm eles um sinal em círculo no rosto, que constitui uma característica da tribo. A indumentária que estão usando é a dos solteiros. A proteçào que usam no pulso também serve para prender as setas. As cordas que usam para prender a seta no momento do arremesso, jogam estas com violência para o pulso. As outras cordas são mesmo enfeites. Como vêem, tra/em eles parte de suas armas de guerra. Os carajás vivem com o missionário Robert Butler no posto do rio das Mortes e já estão cm contato com a civilização há vinte anos. Cotaria e Orrori vão cantar para os companheiros alguma coisa típica, em sua língua (...) (recebem aplausos e uma flâmula). Agora, os dois xavantes Tipo e Tirimissi, que ainda não falam português. O que apresentam de mais interessante é a cabeleira. Usam ossos de tamanduá-bandeira para cortá-las em franja até as orelhas, deixando a parte de trás caída sobre os ombros, l )sam nas orelhas estes enfeites de madeira, à guisa de brincos. Também arrancam as pestanas e a esta altura da vida não têm mais sinais delas. Tirimissi tem 16 anos e Tipé 17. São fortes e robustos. Com este pau, que chamam bordnna, defendem sua casa e conseguem carne para o sustento, abatendo porcos do mato. Também têm cantos típicos. Vão cantar também para os rotarianos." Mis, pois, o que se passou naquele dia, nas palavras de Emílio Lourenço preservadas na memória do"clube.

Uma reunião como essa não poderá ser repetida, pois os índios de agora já não são mais tão inocentes, utilizam-se de gravadores para comprometerem políticos não muitos leais, e, ademais, já se tornaram latifundiários de extensas glebas, que exploram com suas inteligências, máquinas e aviões.

Hm 17 de janeiro de 1958, ainda sob a direção de França Filho, foi o Arboreto Rotário, criado pelo clube na Floresta da Tijuca em 1952, transferido para o Horto Florestal. O rèplantio foi também realizado em bonita cerimónia, a que não faltaram autoridades, vibrantes discursos e hasteamento de bandeiras nacionais. Mais uma vez, fez-se presente a poetisa Stella Leonardos e seu talento, dizendo, entre muitos versos: "As mãos não foram feitas para pedir. Riram feitas{)(ira apertar outras mãos".

Quiseram os lados, entretanto, que o segundo Arboreto Rotário também não se perpetuasse, pois, naquele mesmo sítio, anos depois, foi erguido um edifício para alojar as instalações do SF.RPRO.

Somente em 1990, no dia 13 de novembro, para celebrar o lançamento da campanha Presertv o Planeta Terra de Rotary International, obteve o clube uma nova área para o seu bosque rotário, graças ao trabalho de Mauro Viegas junto ao Dr. Wanclerbilt Duarte de Barros, Superintendente do Jardim Botânico. C) próprio Paulo Viriato presidiu a solenidade e mudas de pau-brasil e outras espécies foram plantadas. A revista 7lie Rotariaii divulgou esse ato ecológico por todo mundo. No ano seguinte, o Governador Francisco Parente, por sugestão de Mauro Viegas, transferiu para todos os clubes do distrito 4570, especialmente para o Rotary Club do Jardim Botânico, a responsabilidade pela guarda do arboreto, colocando no local uma placa alusiva ao assunto.

Há que se falar agora em uma pessoa que já não está mais conosco e que, de tanto faxer o bem, mereceu dos rotarianos e da comunidade o nome de "Anjo do Banco de Sangue do Rio de J arteiro". Na presidência de Antenor Rangel Filho, em ó de novembro de 1959, Irene Niklaus foi homenageada, em plenária, por ocasião do lançamento de uma nova campanha de doação de sangue promovida pelo clube. V. referindo-se a Irene, que chamou também de "anjo animador", escreveu certa vez Paulo Martins: "e porque esse gesto possui, na sua humildade, uma indefinida belexa, é sempre a mulher que se empolga nessa missão, cheia de desprendimento, plena de amor ao próximo".

Rotary recomenda que sempre rendamos homenagem àqueles que são capaxes de atos de bravura ou momentos de sublime heroísmo, não apenas como demonstração de honra ao mérito, mas para que se dê realce ao lado bom e dignificante.:que o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, tem dentro de si.

K foi isso mesmo que fex o Rotary Club do Rio de Janeiro, em 11 de de/.embro de 1959. Na plenária daquele dia, o presidente Antenor Rangel Filho entregou ao menino Paulo Vianna, de apenas 10 anos de idade, a Medalha de Relevantes Serviços à Comunidade, por haver salvo o seu amiguinho Roberto, de 3 anos, que, sem que houvesse qualquer outra pessoa mais no local, cairá no mar e se afogava, próximo ao cais de embarcações de Iate Clube. Roberto é hoje o rotariano Roberto Simões, do RC Jardim América, patrono do Projeto Fada Madrinha. E o seu pai, o nosso Manoel Simões.

Os Dois Primeiros Anos da Década de Sessenta

Não se pode falar nesses anos, sem que se diga alguma cousa sobre José Martins D'Alvarez e sobre António Rodrigues Tavares. Ambos foram poetas, um porque de fato compunha versos e o outro pela bondade que trazia aninhada no peito, bondade que cultivou com tal vigor que o induziu a criar, pouco mais tarde, a Fundação dos Sócios do Rotary Club do Rio de Janeiro. Quantos jovens brasileiros tiveram a grande chance de suas vidas oferecida por Tavares, Alfredo Amaral Osório, Augusto Bayan, Villemor do Amaral, Lowndes, João Pedro e tantos outros. Quem duvidar pergunte ao companlleiro Jiosef Fainberg do Copacabana. Ou pergunte ao Chafi.
Martins D'Alvarez criou um estilo próprio em sua presidência, pois sempre que podia saudava os seus companheiros em versos, especialmente no dia de seus aniversários.

Lendo hoje os boletins da época, verifica-se que, a partir de então, Guilherme Levi se tornava, cada vez mais, o porta voz oficial do clube, o diretor de protocolo para as grandes solenidades e o guardião maior dos cânones do Rotary. E revelava-se, também, uma outra faceta de sua personalidade, a de cantor e animador, integrante do R.C. da Alegria, ao lado de Celso Macedo, Rachel, Schmitz, Nelly, Marieta, Varuca, Sarita, Alfredo, Bianca, Murgel, Elza, Jorge, Lourdes, Regalia, Dhylla e outros.

Como é bom lembrar as buliçosas e alegres caravanas que, sob a batuta de Celso Macedo, subiam a serra para homenagear, em Petrópolis, o Clube de Tegethoíf, de Castellan e do saudoso e inesquecível Caludionor de Souza Adão.

Quanta cousa mais aconteceu naqueles dois anos, mas limitemo-nos a tratar, tão somente, de duas bonitas reuniões. Em 5 de junho de 1961, Joracy Camargo, o grande teatrólogo brasileiro, ocupa a nossa tribuna para falar sobre o teatro e a educação, assunto do interesse maior dos rotarianos. E, semana depois, no dia 12, celebra o clube o Dia das Mães, tendo-se como oradora nada menos que Margarida Lopes de Almeida, que a todos empolga, com sua poderosa voz, declamando "Romancede Cabiúna"'de Ribeiro Couto; "À Nossa Mãe" de Afonso Lopes de Almeida, seu irmão; e "Poema da Maternidade" de Eernando de Castro.

Considerações Finais

Encerra-se aqui a parte que me coube (desculpem-me se passo para a primeira pessoa do singular) descrever da História mais antiga do Rotary Club do Rio de Janeiro, ou seja, de suas quatro décadas primeiras. Não é a Llistória do Clube, pois isso exigiria muito mais talento e vários volumes de muitas páginas. Amarante, que escreveu sobre o rotarismo no Brasil obra inigualável, não deu ao seu livro o título de História, mas o de Contribuição à História do Rotary no Brasil. Pois assim seja. O trabalho que ora apresento é mais uma contribuição à História do Clube do Rio, já que consegui apenas reproduzir trechos, extratos, fragmentos enfim, da História gloriosa do primeiro clube de serviço fundado no Brasil.

Vocês poderão, curiosos, perguntar se isso me deu muito trabalho. E respondo como a pequena menina chinesa na fábula oriental. Certa vez, uma chinesinha, de apenas oito anos, carregava nas costas, numa longa jornada, o seu irmãozinho de dois anos. Vendo-a passar, já aparentando muito cansaço, um sacerdote lhe perguntou: - Menininha, essa criança às suas costas é pesada? - Não, respondeu ela ternamente. É meu irmão.

De agora em diante, como numa prova de revezamento, passo o bastão para Eernando Aragão, que percorrerá o caminho que falta para chegar ao ano de 1993- E sei que ele se sairá muito melhor.


Um Passado Recente e Sempre Presente
Fernando Aragão


Intróito

Quando fomos incumbidos de dizer algo sobre as décadas que, através de nosso clube, marcaram a presença de Rotary, a tarefa afigurou-se bastente difícil, porque o Brasil, o Rio e Rotary, desde que nosso clube foi fundado, têm tido para nós, sob nosso ideal de

Servir à Comunidade, o imenso carinho e empenho de cada um.

Assim, pinçar fatos marcantes, dentre tantos, sob as quase setenta administrações, poderia à primeira vista parecer partidarismo, mas lembremo-nos sempre de que tudo o que se faz e se fez, em nome de Rotary, o foi - e o é - abdicando da pessoa em favor do ideal comum, onde não cabem nem elogios nem invejas, mas somente a nobre emulação. Logo, se muitos fatos relevantes deixaram de ser convenientemente destacados, esqueça-se a vaidade não alimentanda de neles se ter colaborado e tenha-se em mente que a glória interna do dever cumprido é infinitamente maior do que o reconhecimento dos outros homens.

Na forma de direcionar o pensamento quanto ao que se passou, fizemo-lo menos buscando efemérides e mais aquilo que mantém a roda dentada girando e transferindo força e amor. É claro que, pelo tempo decorrido, o árduo trabalho de formiga das comissões, emprestando a R.I. o acrécimo aceleratório que dá a Rotary um sentido humanista crescente e ilimitado, não poderia ser aqui descrito. Está tudo, lá, nos boletins, semana após semana, mês após mês, ano após ano, colhidos e catalogados por Fernando Reis, à disposição dos consultores. Ainda, junto, há gravações de próceres como Campello e Niklaus que, prolongando o trabalho de Amarante, pintaram como modernos Tintorettos, traçando e colorindo o que o Clube tem representando na comunidade e para seus membros, lembrando-nos que no "Studio" de Tintoretto estava escrito: "11 disegno de Michelangelo ed il coloritto de Tiziano".

Nosso trabalho foi como se sacudíssemos enorme e frondosa árvore frutífera, pingue de dádivas, com algumas, ao acaso, vindo cair em nossas mãos.

Olhando a história do clube, vemos quantos grandes companheiros se foram, deixando pegadas a serem seguidas. É como
se estivéssemos em uma grande estrada e os que nos antecederam tivessem, indelevelmente, deixado o sentido e direção do caminho a trilhar em prol de um Rotary cada vez maior. Impossível, de uma forma sucinta, abranger do passado todos feitos e fatos, nomes e datas. Assim, a par daqueles que partiram, dos quais alguns aqui citados, e dos que formam nosso corpo atuante, dos quais também uns poucos são ao acaso nomeados, seja entendido que, como Rotary não morre, tampouco morrem os que vivem na memória rolaria, mesmo aqui não citados.

Década de Sessenta

Frutos sumarentos e saborosos foram palestras e apresentações como o discurso de Murgel saudando João Havelange, então presidente da C.B.D., dizendo, entre outras coisas lapidares, que "o trabalho do esporte é obra eminentemente rolaria". Havelange, respondendo, afirmou que a solução definitiva para o problema financeiro da C.B.D., para a Copa do Mundo de 62, nascera de uma palestra por ele proferida no plenário do Clube, a qual desencadeou, em efeito cascala, conlribuições para a C.B.D., das quais duas iniciais represenlaram 1/3 da demanda para o evenlo.

Ainda, que gralo goslo naquele longínquo 62, ao tomarmos conhecimento de ter o Ministério Público opinado favoravelmente a o Regislro da Fundação dos Sócios do Rolary Clube do Rio de Janeho, obra imorredoura do grande António Rodrigues Tavares, por quem, copiando Camões, poderíamos dizer:

"- Não passes, caminhante!
- Quem me chama?
- U'a memória nova e nunca ouvida. De um que trocou finita e humana vida Por divina, infinita e clara f ama."

E, ousando ao vate, por Tavares remendar, diríamos:
M f is, não por esta atraído! R sim, por muito ter amado, O estudante desprovido /:' de outra forma dotado.

Ou, então, a tranquilidade e a satisfação que nos invadiu, ainda em dezembro daquele ano, ao sabermos paga a última parcela de nossa sede própria. Ideia plantada, regada e colhida por quem estará sempre em espírito entre nós, João Pedro Thomás Pereira. E, desde fevereiro daquele ano, a Secretaria lá funciona, sempre com o Délio sem mãos a medir. Ao lado, na mesma ocasião, proporcionávamos à Casa da Amizade, sem nenhum ónus para ela, as acomodações de que desfruta agora no abraço amigo aos outros clubes.

A cada ano se renova nossa profissão de fé na juventude, através da Escola Kotary. Quantos companheiros se dedicaram e se dedicam com afinco para que essa iniciativa evolua e frutifique sempre. Mas, ficou na lembrança, mais bonito do que nunca, o que o Feio fez: - A festa da Primavera - dando nova dimensão à Escola Rotary. Fia mostrou um Clube, irmanado aos seus afilhados e à comunidade da Ilha do Governador, unissonamente aplaudindo a iniciativa da Escola Rotary, criando o grupo de escoteiros e bandeirantes Carlos Coimbra da Lu x, nosso pranteado companheiro, grande brasileiro, e que, nem no dia de sua posse como Presidente da República, deixou de comparecer ao plenário do Clube.

Mais uma vez ascendia ao cargo de Governador do Distrito um ilustre membro do clube, Antenor Rangel, que deixou um rastro de alegria.

Fala-se hodiernamente em ecologia, mas foi no plenário, em novembro de 63, que o Dr. Victor Abdennur Farah, presidente do antigo Conselho florestal Federal, destacou uma política florestal baseada em dois princípios: Utilizar e Preservar. E, lembrando Fdgard Teixeira Leite, fiéis a esse principio, viemos fazendo-o até hoje. O Mauro Viegas que o diga, porque ele o faz. F, mais, faz fazer.

Durante a presidência de Gilberto de Ulhóa Canto (63/64), que tanto apoiou o trabalho da Fundação dos Sócios, a difícil tarefa de implementação das Relações Profissionais foi, através de palestras promovidas pelo R.C.R.J. no clube de Engenharia a estudantes secundaristas, levada a cabo com sucesso.

Com Momsen, morria em 64 um pedaço do nascimento do Clube, mas surgia, vigorosa e forte, pelo seu legado de ideias e financeiro, a possibilidade de estudantes brasileiros terem bolsas de estudos de Direito Constitucional na George Washington University. E, ainda naquele ano, despedia-se o plenário das instalações do Automóvel Clube para, por dois anos, se abrigar no Edifício Sul América, nas instalações do Country Club ali existente, e depois, a partir de Julho de 66, vivenciar, por longo tempo, a agradável permanência no Clube Ginástico Português. Nesse ínterim, surgia o Interact da Associação Cristã de Moços, obra fecunda de nosso clube, dando exemplo aos jovens que iniciam a vida profissional do que é o espírito rotário. Na busca dos fatos que marcaram o ano rotário de 65/66, constatamos, com pesar, estarem faltando na Secretaria os boletins daquele período. Foi o período da presidência de Guilherme Levy. O Rotary não poderá jamais esquecer a história de Albarito, o garotinho boliviano que, tendo as mãos queimadas, veio naquele ano, por intermédio do clube, ser tratado pelo Dr. Pitanguy. Albarito permaneceu 17 meses no Rio, em casa de companheiros como o Manoel Simões, e voltou posteriormente para finalizar sua recuperação. A saga de Alberito terminaria com pleno sucesso em 73, quando seu pai, Herman Guilart T., deu a nosso clube vivo testemunho de quanto era grato ao Rotary.

Voltando a 64/65 e àquele período, é consignável que houve, como muitas antes e depois até hoje, tremenda enxurrada. O então ex-companheiro e Governador do Rio, Francisco Negão de Lima, para "pacificar os céus", restaurou o feriado de 20 de Janeiro que havia sido abolido. Seria ocioso citar que o Rotary, como em todas as ocasiões semelhantes, participou ativamente no fornecimento de alimentos e agasalhos aos desprovidos da sorte pelo infausto acontecimento. Mas, não se pode deixar de dizer que Rotary, antes, durante e para sempre, esteve e estará presente na assistência à Comunidade.

Entre tantos oradores daqueles jornadas, cujo brilho, patriotismo e ensinamentos emprestaram ao plenário o arrebatamento do Bem Servirá Comunidade, seria impossível destacar um que fosse sobre os demais, porque o plenário ouvindo, ponderando e debatendo, põe em prática rotária aquilo que lhe foi oferecido em pérolas de saber, dando a cada orador o valor merecido. Um plenário que soube ouvir o grande, não, o enorme Eugênio Gudim proferir em 67, com modéstia igual ao seu saber, em sua palestra sobre Comércio Internacional e Desenvolvimento Económico: "Se eu pudesse dar um conselho aos amigos rotarianos, isto é, separa isso tivesse autoridade, eu lhes recomendaria que, no seu propósito de auxiliar o desenvolvimento económico e melhorar o bem estar das populações brasileiras, combatessem o espírito mercantilista e o espírito de nacionalismo exagerado". O plenário, ouvindo e ponderando, vem nessa linha se mantendo e ajudando a forjar, pela prática, um Brasil mais aberto e menos xenófobo.

A árvore plantada por Mansen e Edmundo de Miranda Jordão, então o rotariano número um do Brasil, teve com o passamento deste em 67 seu segundo abalo emocional, tão bem expresso pelo sempre jovem Antenor Rangel que, não mais se encontrando entre nós, deixou entretanto memória perene de seu vibrante rotarismo, tonitroante na voz e manso de coração.

Quando vemos o estado atual de limpeza da cidade, custa lembrar que em 67, quando o Rio era menor, o Clube encetou uma campanha de limpeza da cidade, aplaudida pela antigo D.L.U., e que deu magníficos resultados. Várias vezes temos retomado a ideia, mas esse esforço permanente deve partir de cada cidadão, porque uma coisa acumulada, que causa repulsa, é o lixo, seja na sua forma física ou na moral.

Ética - Um Principio Que Não Pode Ter Fim, frase maravilhosa cunhada por Aroldo Araújo, marcará para sempre a gestão do Tiburcio em 89/90, entretanto, falando de Ética, é justo lembrar Alfredo do Amaral Osório, embora Alfredo deva, não só por isso mas por muito, muito mais, ser lembrado. Alfredo, que presidiu o clube em 66/67, fez redigir, com a colaboração de Rangel e outros, um notável manual de Moral e Civismo distribuído, com o nome "O Seu Mundo ...e o dos Outros", entre os estudantes do então Estado da Guanabara, marcando a presença de Rotary e da Ética junto à juventude. Obra reeditada posteriormente pela sua grande valia. Através do atual trabalho da Comissão de Ética, onde Daniel Sydenstricker empunha a batuta que Tiburcio levantou e faz distribuir nos colégios um folheto sobre Ética, vemos que esse trabalho não tem mesmo fim.

Foi em Junho de 67 que se deu o grande passo para admissão no nosso convívio dos representantes das religiões, naquela ocasião, D. José de Castro Pinto, Bispo titular de Hierapolis, o Reverendo Zaqueu Ribeiro e o Grão Rabino Dr. Henrique Lemle. Respectivamente, Catolicismo, Protestantismo e Judaísmo juntaram-se a nós. A iniciativa que veio preencher uma lacuna de magna significação, partiu do Guilherme Levy, de quem o sempre lembrado Jorge Pereira dizia ter um microfone na garganta. Ao que podemos ajuntar, depois de ter sido o Diretor de Protocolo, vem ao longo desse tempo todo, apesar de ter sido Presidente, sendo o único a quebrar constumeiramente todos os anos o nosso protocolo, dizendo-se, ao seu favor, que o faz com rara felicidade, deixando o plenário em estado de graça. Dado que Levy, a cada despedida de presidente e diretoria, rompe o protocolo, pergunta-se se isso não poderia para o futuro ser incluído no mesmo, mas talvez não tivesse tanta graça. A verdade é que os novos frequentadores do restaurante do Clube Comercial, a cada despedida anual no andar de cima, perguntam: - É trovoada? Ao que os antigos respondem: - Não! É o Rotary.

E naqueles dias, nosso Clube, tão distinguido por R.I., mais uma vez teve a honra de uma distinção através de Américo Campello, com sua escolha como Agente Fiscal para o Brasil, emprestando assim ao nosso sócio número dois mais um galardão rotário. Campello, que trilhou todos os caminhos do Rotary no Brasil, e muitos de Evanston, é, junto com Augusto Niklaus, o número um, a memória e o exemplo a serem copiados.

Em 68, a Comissão de Relações Internacionais lançou no Clube o Programa de Intercâmbio de Jovens. Essa ideia, tão bem trazida até hoje, é um dos motivos de orgulho e vontade de fazer mais e melhor. Naquele ano, pelo motivo do centenário de nascimento de Paul Harris, por iniciativa do clube e alegria de Guilherme Levy, o maior colecionador de selos de Rotary, emitia o Governo um selo comemorativo.

Década de Setenta

Em 70, mal havíamos alcançado o tri-campeonato mundial de futebol, magnificamente relatado no plenário por João Correia da Costa, ex-presidente e ex-companheiro de nosso clube, porém verdadeiro rotariano de coração, desencadeou-se campanha internacional denegrindo a imagem do Brasil. Estávamos sob a presidência de Hermano Villemor do Amaral, o qual, com sua habitual serenidade e firmeza, fez publicar no nosso boletim, em várias línguas, entre elas inglês, francês, e alemão, o repúdio às inverdades que se propalavam. Aos clubes co-afiliados foi enviada missiva, alertando-os do que se tramava contra a reputação de nossa Pátria e, aqui e no estrangeiro, se desfez a calúnia e a desinformação.

Em 70, dava nossa árvore mais um vigoroso arbusto, pois o R.C. do Rio Comprido já nasceu grande e que logo cresceu mais ainda, deitando hoje sua sombra de benesses no território herdado, fazendo com que seja emulado por muitos R.C.

Desde 70, o sempre lembrado Jorge Pereira e Luis Murgel começaram o trabalho precursor de comemoração do cincoentenário de Rotary no Brasil, a ocorrer dois anos após. Um dos pontos altos dos trabalhos da Comissão Organizadora foi a campanha de doação de Bolsas de Estudo, por grupos de 25 rotarianos, o que redundaria em cerda de 1.000 Bolsas em todo o país. A nobre iniciativa, vinda de quem sempre estará presente em nossos corações, Sizinio Rodrigues, alcançaria pleno sucesso. Sizinio, então Governador Escolhido, conseguiu motivar a todos os clubes para levarem mais essa bandeira em prol da educação dos jovens. Além disso, ainda eram objetivos colunados pela Comissão a publicação da História de Rotary no Brasil e a emissão de um selo postal comemorativo do evento. A feliz ideia do selo do cinquentenário, tida e levada a efeito por Guilherme Levy, que soube motivar ao então presidente da EMBRATEL Haroldo de Matos, foi, como era de se esperar, um sucesso no mundo filatélico. Além do mais, acabou trazendo para o nosso convívio o futuro Ministro Haroldo de Matos, de cuja companhia e serviços ao Rotary muito nos orgulhamos.

A 15 de Dezembro de 1972 comemorou-se o cinquentenário da instalação do nosso Rotary, embora ainda não afiliado a R.L. O então presidente Jorge Pereira foi objeto de inúmeras manifestações de carinho ao clube, destacando-se entre elas a do então Governador do Estado da Guanabara, Chagas Freitas. O Governador do Distrito, nosso Sizinio, disse naquela data, em memorável pronunciamento, ser o futuro incerto, citando Victor Hugo, que o comparara ao pássaro apenas pousado nos nosso telhados. E aqui repetimos suas palavras: ".. .Mas uma coisa podemos fazer: é trabalhar, é esfoi ar-nospara que esse futuro, guardadas as contingências que lhe s <o próprias, seja muito maior muito mais glorioso que o passado".

Cremos que Sizinio nos vê agora, prosseguindo no futuro daqueles dias, maiores e mais do que nunca servindo ao Brasil, portanto cumprindo o seu desejo.

A 20 de Janeiro de 73, no salão de convenções do hotel Glória, concretizava-se um sonho, o lançamento do livro de Amarante "Contribuição à História do Rotary no Brasil", para, no dia seguinte, em uma noite de confraternização interclubes, continuarem os festejos. A comemoração do cinquentenário teria sua "grand finale" na sessão solene do Encontro Nacional no Teatro Municipal, a 20 de Março, quando a Orquestra Sinfónica Nacional brindou aos rotarianos de todo o Brasil, e aos seus convidados, com perfeitas execuções. Naquela ocasião, o coronel Otávio Costa, representando o General Mediei, então Presidente do Brasil, dirigiu palavras de estímulo e elogio à ação rolaria. O nosso atual sócio honorário, o querido Imbassahy de Mello, que seria merecidamente presidente de R.I. em 76/77, discursou com sua peculiar lhaneza e brilho, saudando o Presidente de R.I., Roy D. Hickman, que prestigiava ao Rotary brasileiro com sua presença. Este, agradecendo em belas palavras cheias de carinho e afeto, ofertou ao nosso clube, por ser o primeiro Rotary no país, uma placa comemorativa do Jubileu de Ouro. Ainda, como comemoração do Jubileu de Ouro, fez o R.C. do Rio de Janeiro cunhar medalhas que foram ofertadas a várias personalidades, sendo de se destacar Henry Herman Lichtwardt nos Estados Unidos e Robert Shalders em São Paulo, sócios fundadores do Rotary Clube do Rio de Janeiro.
A 21 de Março de 73, para o encerramento do grande Encontro, em tocante cerimónia aos mortos da segunda guerra, Luiz Murgel rendeu homenagem àqueles heróis. Presentes ao momento solene, estiveram rotarianos de todo o país, sendo notável a comitiva do Rio Grande do Sul, chefiada pelo companheiro Walter Koch diretor de R.I., e que representaria Roy Hickman na nossa XLIV Conferência Distrital. À noite, no Canecão, houve em animado ambiente de descontração, o derradeiro adeus aos que partiram nos dias seguintes.

Finalmente, a 26 de Março, o Presidente Mediei, pelo Decreto 71.990 declarou a Fundação dos Sc' ios do Rotary Club do Rio de Janeiro de Utilidade Pública. Para i- ;o, n.uito contribuiu o esforço pessoal do hoje companheiro Céli > Borja, deputado na época, o qual, ao agradecer às palavras de Jorge l reira, então presidente, minimizou sua participação, engrandecendo ios companheiros Augusto Bayan, António Ceppas e Elias Nassif. Escusado era engrandecê-los mais, pois sabíamos o que os três haviam feito pela Fundação, especialmente Augusto Bayan, que segurou firme o leme frente a várias tormentas e soube sempre, como verdadeiro comandante, levar o navio ao seu destino.

74 foi um ano de gratas recordações. Presidia o Clube Washington Lobo, e foi com grande satisfação que o plenário ouviu o presidente dizer que o Secretário Geral de R.I. informara ter nosso companheiro Alberto Pires Amarante sido indicado para o cargo de diretor de R.I. para a 4a. Zona da Ibero-América, para o biénio 75-77. Logo a seguir, comunicava Washington que Américo Campello, ex-governador e agente financeiro de R.I., fora convidado pelo presidente indicado de R.I. 75/76, o querido Ernesto Imbassahy de Mello, para a assessorá-lo. De uma feita, teria o R.I. três brasileiros ilustres em Evanston, sendo dois do clube do Rio, enquanto que, quanto a Imbassahy, sempre presente nos nossos magnos eventos, não fora o Protocolo lembrar, a custo acreditaríamos que era membro do R.C.R.J. de Niterói e não do nosso Clube. Essa última questão seria sanada em Julho de 76, ao Imbassahy se tornar sócio honorário do clube do Rio.

A 9 de Abril de 75 quis o clube, em sessão solene do plenário, homenagear o segundo brasileiro a ocupar o cargo de serviço máximo em Rotary - o de presidente de R.I.. Na memorável reunião, à qual se solidarizaram com caravanas todos os clubes da antiga Guanabara, abrilhantada ainda por representações de Niterói; Belém - PA; Campos; Cruz-Alta - RS; Duque de Caxias; Nova-Iguaçú, Nova-Iguaçú Leste; Niterói Norte; Pádua; Petrópolis Sul; Recife; Recife Boa-Vista; São Paulo Sul e Teresópolis, foi lançada a Campanha Nacional pelo Menor Abandonado. Foi assim o R.C.R.J. o palco inicial da meta do presidente de R.I. para àquela gestão. Com a entrega, por Washington Lobo a Imbassahy, da bandeira brasileira, pedindo para que com ela visitasse todos os clubes do mundo, houve um momento de fortíssimo emoção ao ser desfraldado o nosso pendão pelo futuro presidente de R.I. que, ao mesmo tempo, prometia assim o fazer.

O ano rotário de 75/76 começou de forma auspiciosa no que respeitava a campanhas. A Comissão de Interesses da Comunidade, no período anterior, sob o impulso de Mauro Viegas e preocupada com os efeitos trágicos da incúria que conduziu às tragédias dos edifícios Joelma e Andraus, elaborara um folheto com o título "Não deixe que isto aconteça por sua culpa" e a que foi a peça chave d d Campanha Educacional de Prevenção Contra Incêndios. Feitos mais de 100.000 exemplares como patrocínio de Morrison-Knudsen Engenharia e do Grupo Atlântica Boa Vista de Seguros, foi a campanha desenvolvida nos mais diversos setores, alcançando ampla repercussão. Aquela comissão se dividira, na gestão de Paulo Willemsens, em duas sub-comissões: "Pelo Menor - Pelo Futuro do Brasil" com Murgel à frente, e de "Defesa do Meio Ambiente", sob a orientação de Edgard Teixeira Leite, esteio inesquecível da ecologia no nosso Clube. Ela, a comissão, teria um vasto programa a cumprir e só veria seu trabalho materializado nos anos seguintes, através dos resultados alcançados pelo empenho de seus membros.

Cabe mencionar ainda que o sempre lembrado Sizinio Rodrigues, naquele ano, era indicado para servir na Comissão de Estatutos e Regimento Interno de R.I.. Aliando sua vasta experiência de vida, profissional e rolaria, contribuiu Sizinio para que se aprimorassem as diretrizes de Rotary no mundo. Mais tarde, Sizinio, que já havia salvo o clube durante o "Estado Novo" de uma voragem jurídico-sectarista, viria, junto com outro eminente jurista do R.C.R.J., como Gilberto de Ulhôa Canto, ex-companheiro mas sempre rotariano de coração, e Alfredo Osório, grande conhecedor do Clube, promover uma atualização daqueles documentos básicos do Clube do Rio.
Como tantas velas que se extinguem, vimos também a esse tempo apagar-se o nobre e generoso clarão de Fábio Bastos. Mas, se um soldado do "bem servir para o bem comum" cai, outros muitos vêm preencher a brecha na muralha rotária. E, assim, engajava-se o clube do Rio no mote de Imbassahy - "Pelo Menor - Pelo Futuro do Brasil", bandeira essa que vem sendo empunhada, não só pelo clube do Rio mas pela plêiade de clubes do Distrito. Mudam os dizeres, mudam os porta-bandeiras,